Usuport-RJ se reunirá com o TCU para tratar do aparelhamento da Docas do Rio

 

13/05/15 08:47 AM

 

O Tribunal de Contas da União (TCU) tem contribuído muito com os usuários, ouvindo nossas reivindicações e atuando com um nível técnico de dar inveja a muitas Agências Reguladoras.  Recentemente, o Tribunal foi alvo de grandes criticas do setor privado, por conta do processo de liberação de áreas de arrendamentos portuários em Santos e no Pará. Se pararmos para avaliar o tempo que esse processo levou, a complexidade do tema e compararmos, por exemplo, com o processo de omissões de portos que tramita na Antaq há mais de um ano e meio, sem conclusão, sem satisfação ao denunciante, que sequer pode acompanhar o andamento pelo fato de se sigiloso e que os fatos a serem apurados ainda foram tratados pela Agência como invenção de mídia, podemos dizer que o TCU trabalha bem melhor que o regulador, pelo menos na verdadeira defesa dos interesses dos usuários.  

 

 

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Sobre a vergonhosa dança das cadeiras que está prestes a acontecer na Cia. Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), com a intenção de confirmar as informações, tentamos falar com o Ministro dos Portos e seu Chefe de Gabinete por diversas vezes, deixando exatos 05 recados pelo telefine e enviando inclusive diversos e-mails. Lamentavelmente, não recebemos respostas, mas sabemos que eles fizeram a leitura das mensagens, vez que recebemos confirmação de leitura.

 

Portanto, já que as instituições do nosso setor não são capazes e não têm interesse em nos de nos atender, procuraremos, mais uma vez, o TCU, com reunião agendada para 18/05/15, só que desta vez, para tratar do aparelhamento que o PMDB pretende fazer na CDRJ.

 

Para nós, assim como para as comunidades marítima e portuária do Estado do Rio de Janeiro, que recentemente ofereceram almoço para homenagear a diretoria da companhia, não faz o menor sentido mudar, neste momento, uma gestão que assumiu há pouco mais de 07 meses, exercida por profissionais de carreira da estatal, gente do porto, que conhece o cais, que dialoga com os players de forma técnica e que, principalmente, vem fazendo um bom trabalho com grandes chances de reerguer a empresa.

 

O que está prestes a acontecer vai na contramão de qualquer modelo eficiente de gestão. Qualquer diretoria precisa de tempo para realizar mudanças. Se, em uma empresa privada, saudável, existe demanda por tempo, imagine na CDRJ, uma estatal que foi, por décadas, aparelha e fatiada por partidos políticos e seus apadrinhados sanguessugas incompetentes, que nada fizeram pelos nossos portos e pelos usuários.

 

Sabemos que o TCU não tem poder para interferir nessa vergonhosa dança das cadeiras, pois isso cabe ao Ministro dos Portos. Porém, diante do risco de aparelhamento da estatal, que terá apenas a função de sugar a companhia, pediremos ao Tribunal que, assim que os gestores do PMDB assumirem os seus cargos, inspecione de perto todos os atos desses apadrinhados sanguessugas, principalmente naquilo que sai do convencional: Loteamento de cargos executivos da empresa por mais apadrinhados que nunca entraram num porto, fazendo da CDRJ cabide de empregos; violação dos ritos legais para celebrações de contratos estranhos à companhia; direcionamentos de Editais de Arrendamentos, cessão de uso temporário e ocupação irregular de áreas nobres dentro do porto organizado.

 

Os usuários serão os mais prejudicados com o retrocesso da Autoridade Portuária e, por isso, é necessário brigarmos pela saúde da CDRJ. O governo brasileiro e os nossos políticos precisam parar de tratar os nossos portos como moedas de troca. Não é assim que um setor fundamental para o país, que necessita de extrema eficiência e excelente gestão, deve ser tratado.  Quando o Ex-ministro dos Portos Cesar Borges, muito bem assessorado pelo também Ex-ministro Antonio Henrique Silveira (extremamente competente), decidiu, por meritocracia, nomear diretores três profissionais de carreira da CDRJ, existia uma urgente necessidade de mudanças, vez que a companhia passava por um momento muito complicado, com desentendimentos internos, mandos e desmandos, com os portos bagunçados, etc. No entanto, neste exato momento, essa necessidade não existe.

 

A CDRJ é uma estatal que, em última análise, pertence à sociedade, é patrimônio do povo. Além do mais, a sua atividade é de interesse público, pois, na ponta da cadeia, os cidadãos pagarão a conta da ineficiência da Autoridade Portuária e desse retrocesso, nas prateleiras dos supermercados, farmácias e comércio. Tudo que acontece no nosso setor está diretamente relacionado à vida e ao cotidiano de cada cidadão, bastando ver a imensa pauta de importações do Brasil, com gêneros de primeiríssima necessidade. Portanto, mudanças precisam ser bem justificadas com boas motivações técnicas, para o perfeito entendimento da sociedade.

 

Seja como for, mesmo não recebendo retorno, ainda acreditamos que o Ministro dos Portos não permitirá esse absurdo e colocará em prática aquilo que fala em seus discursos feitos em eventos, feiras, fóruns e seminários, ou seja, que os nossos portos precisam de eficiência. Acreditamos que ele não cairá em contradição, permitindo o aparelhamento da CDRJ pelos seus colegas de partido.

 

 

André de Seixas

Criador e Editor do Site dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro

E-mail: uprj@uprj.com.br

 

O texto acima reflete a opinião do autor e do UPRJ

 

 

   

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