PMDB quer a Docas do Rio de qualquer maneira. Não emplacou o filho, agora vem o pai

 

18/05/15 05:25 AM

 

A ganância dos deputados do PMDB-RJ sobre a Cia. Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) parece não ter limites. Até a semana passada, o candidato ao cargo de Diretor-Presidente da companhia era o Ex-Diretor Financeiro da CCX, mineradora de carvão da EBX, do ex-megaempresário Eike Batista, Leonardo Pimenta Gadelha.  Na oportunidade, mencionamos que o Grupo X ainda tem muitos interesses no Porto do Açu, que é um concorrente direto dos portos públicos do Estado do Rio de Janeiro administrados pela CDRJ, fato, no mínimo, constrangedor, vez que o cargo permite acesso a informações privilegiadas, inclusive estratégias de negócios de empresas privadas, arrendatárias, operadoras e usuárias embarcadoras exportadoras e importadoras.

 

 

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Como o primeiro nome não emplacou, o PMDB-RJ decidiu, segundo nota do jornal O Globo de sábado (16), indicar o pai do primeiro candidato ao posto maior da companhia. Trata-se do Senhor Alexandre Porto Gadelha, que é (ou foi) Diretor Comercial da Nuclebrás Equipamentos Pesados S/A. (Nuclep). Nossas fontes confirmam que o nome dele já foi enviado à Casa Civil, junto com outras centenas, inclusos na fatura que o PMDB cobra da Presidenta Dilma seu apoio ao ajuste fiscal do governo, nos termos colocados pelo site da Revista Veja.

 

O que nos causa estranheza é a proximidade do primeiro candidato com os interesses do Grupo X, e o fato de agora o pai dele ser apontado pelo PMDB. Por que o candidato ao cargo de presidente da CDRJ tem que ser alguém tão próximo do Grupo X? Por que precisa ser um Gadelha a assumir a CDRJ? 

 

A verdade é que, graças às sanguessugas que aparelharam a empresa nas últimas décadas, a CDRJ está em péssima situação financeira e, provavelmente, não resistirá a mais um “estupro” de partidos políticos. O gestor do PMDB para a companhia é mais um apadrinhado que, segundo nossas pesquisas indicaram, não conhece sobre a atividade portuária e, apenas pelo fato de ter “Porto” em seu nome, não significa que esteja qualificado para assumir o cargo e tocar os destinos de portos importantíssimos para o país.

 

Por princípio, somos a favor da eficiência e contra o aparelhamento da CDRJ.  Acreditamos que o modelo de fatiamento por partidos políticos adotado para as nossas estatais já causaram danos suficientes à sociedade, vide o rombo da Petrobras. Por que uma empresa estatal não pode dar certo? Por que uma estatal não pode trabalhar com um mínimo de eficiência?

 

Já detectamos todas as áreas onde os apadrinhados poderão sugar a companhia e levaremos o caso para o Tribunal de Contas da União (TCU). O certo é que o novo gestor do PMDB na companhia não terá vida fácil. Ele não terá tempo para aprender o que é um porto, porque isso é o mínimo que se espera de quem está assumindo uma Autoridade Portuária. Será olhado de perto e julgado todos os dias. Cada deslize dele que chegar até nós será uma denúncia feita, dependendo do caso, ao TCU ou ao Ministério Público Federal (MPF).  

 

Ainda acreditamos na coragem do Ministro dos Portos no sentido de enfrentar seus colegas de partido e não permitir este absurdo, em um momento extremamente delicado para a companhia, que ele conhece muito bem. O PMDB-RJ precisa deixar a CDRJ respirar e o Ministro exercer sua autoridade.

 

Para os usuários, é fundamental o fortalecimento da Autoridade Portuária, de forma que tenham garantido o seu direito ao Serviço Adequado, nos termos definidos pelo § 1° do Art. 6° da Lei de Concessões.

 

 

André de Seixas

Criador e Editor do Site dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro

E-mail: uprj@uprj.com.br

 

O texto acima reflete a opinião do autor e do UPRJ

 

 

   

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