Operação Choque de Ordem da Prefeitura do Rio, como a que ocorreu no bairro do Caju, é ineficaz

 

05/11/14 07:20 PM

 

A Prefeitura do Rio, assim como diversas administrações públicas, adoram criar nomes midiáticos para as suas ações também midiáticas. O “Choque de Ordem” do Prefeito Eduardo Paes é mais um desses nomes impactantes, que visa atrair jornais e emissoras de TVs para os locais onde ocorrem, para mostrar que a Prefeitura do Rio está fazendo alguma coisa. Nessas ocasiões tem sempre um subprefeito, um secretário, ou até mesmo um chefe da guarda Municipal para dar entrevistas, quando não o próprio Prefeito. Tudo vai depender do apelo ação. Por exemplo, a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), dependendo da comunidade e do apelo de mídia, será o fator determinante para apontar quem estará de frente na operação.

 

Guardadas as devidas proporções, como rotina operacional e eficácia, da operação “Choque de Ordem” do Prefeito do Rio muito se assemelha com as invasões de comunidades pela policia, que entra na favela, troca tiros com os bandidos e depois vai embora. Poucas horas depois os bandidos estão de volta. No caso da Prefeitura do Rio acontece o mesmo, só que com uma grande diferença: A tropa do Prefeito, sempre acompanhada de jornais e emissoras de TV, vai ao local, retira comércio ambulante irregular, reboca veículos estacionados irregularmente, libera vias e calçadas, faz a limpeza da área, etc. Porém, assim que a Tropa da prefeitura vai embora, pouquíssimo tempo depois, às vezes horas, as irregularidades voltam. Ou seja, o “Choque de Ordem” traz de tudo, menos a ordem. No entanto, é necessário ressaltar, que o “Choque de Ordem” do Prefeito trás uma enorme arrecadação ao município através da aplicação de multas de transito, centenas, milhares. Ou seja, a prefeitura vai ao local, aparece para mídia, arrecada e vai embora.  

 

 

 

O bairro do Caju, quando da instalação da UPP em 2013, passou por uma operação “Choque de Ordem”. Isso seria um indicativo de que o Prefeito mandou a sua tropa para lá, apenas para “surfar” a onda do Governo do Estado?  Cremos que sim, pois o Sr. Eduardo Paes, político experiente, sabe que a cobertura da mídia é enorme nessas ocasiões. Hoje em dia, e há anos, a Prefeitura sumiu do bairro.

 

O site da Prefeitura do Rio de Janeiro, em texto publicado em 16/09/2009 (clique aqui e leia), define o que é o “Choque de Ordem”. Após leitura, ficará evidente que, no bairro do Caju, assim como em outros bairros, a operação “Choque de Ordem” não funcionou, pois seus objetivos estão longe de serem alcançados. O que o Caju precisa é de ordem, é da presença constante da Prefeitura no Bairro, para garantir que o transito do local flua e com segurança; não permitir estacionamento em filas duplas (até triplas) em vias de mão dupla; não permitir que as calçadas do bairro sirvam de estacionamento de carros e caminhões enormes e pesados, ou como extensão de oficinas mecânicas e borracheiros; reformar as calçadas, que estão acabadas por conta do peso dos veículos estacionados sobre elas, para que os moradores e trabalhadores possam transitar se forma segura; não permitir estacionamento em locais proibidos; redefinir tecnicamente os locais de estacionamento com a colocação de placas; colocar reboques fidelizados ao bairro de forma que veículos (carros e caminhões) que estejam atrapalhando a fluência do tráfego do bairro sejam retirados com extrema rapidez, vez que atualmente a demora é de horas, isso quando os reboques não aparecem, fato comum; instalar uma base de operações eficiente no bairro; fazer serviços de limpeza e coleta de lixo dignas; revitalizar praças e ruas, oferecendo qualidade de vida para quem mora e trabalha no bairro, dentre outras dezenas de necessidades. Ou seja, tudo que se vê no Porto Maravilha, no “Nuevo Puerto Madero” do Prefeito Eduardo Paes.

 

É inadmissível a ausência da Prefeitura no Bairro do Caju. Um bairro que tem empresas diversas, com grande fluxo de veículos onde as pessoas não tem o direito de usar as calçadas, porque veículos de grande porte estacionados. São dezenas de milhares de pessoas que precisam de um Caju revitalizado. Pela enorme importância econômica e social que as empresas instaladas no bairro do Caju têm para a Cidade e para o Estado do Rio de Janeiro, como um dos maiores pontos de arrecadação de ISS e ICMS, o bairro precisa da presença imediata da Prefeitura para que ali se tenha ordem urbana.

 

O Porto do Rio de janeiro, cujas entradas e bases logísticas estão no Caju, é um dos principais do Brasil, o quinto melhor porto natural do mundo, com enorme capacidade de crescimento, que vem recebendo investimentos privados de mais de 1 bilhão de reais dos terminais, precisa que o bairro do Caju seja revitalizado. O Caju é visitado por grandes investidores internacionais, principalmente por causa do porto e de seus estaleiros. O bairro é a porta de entrada de uma fronteira comercial. O problema é que o Prefeito do Rio de Janeiro está olhando apenas para a entrada do turismo e, provavelmente, não deve estar levando em consideração a conta daquilo que a população da cidade perde com o bairro no estado de abandono que se encontra. 

 

O porto do Rio e a sua base logística atendem milhares de empresas, mas não apenas da cidade e do Estado do Rio de Janeiro. Os Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Goias e Braília-DF, parte de São Paulo, dentre outros precisam do Porto do Rio e do bairro do Caju para exportar suas riquezas e adquirir insumos e produtos do exterior. As empresas desses Estados contribuem sobremaneira com a arrecadação de impostos que beneficiam a cidade do Rio de Janeiro, de forma direta.  

 

O Caju não precisa de Choque de Ordem. O bairro mais portuário da cidade, um dos mais importantes para o Estado do Rio de Janeiro, precisa é de presença constante da Prefeitura, que é omissa. Quem precisa de choque é o Prefeito Eduardo Paes, mas não um de Ordem. Ele precisa é de um “Choque de Visão”, para enxergar a importância bairro.

 

 

 

André de Seixas

Criador e Editor do Site dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro

e-mail: uprj@uprj.com.br

 

 

 

 

 

   

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