Definidas as restrições da Baía da Guanabara para as regatas olímpicas

 

22/07/15 10:45 AM

 

 

 

Associação dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro (Usuport-RJ) teve a iniciativa de procurar o Comitê Olímpico Rio 2016 e, junto com Cia. Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) e com Sindicato dos Operadores Portuários do Estado do Rio de Janeiro (SINDOPERJ), em duas oportunidades, se reuniu com a Diretoria de Relações Institucionais  da instituição para buscar informações sobre as regatas, principalmente dos jogos olímpicos e paraolímpicos de 2016, levar as necessidades do porto aos organizadores do evento e saber como será 2016, que era a grande dúvida e enorme preocupação.

 

O Porto do Rio foi muito bem recebido e atendido pelo Comitê Rio 2016 que, imediatamente, levou todas as questões à Federação Internacional de Velas – ISAF (siga em inglês para International Sailing Federation). Em resposta rápida, a ISAF definiu que, para o evento-teste de 2015 e competições de regatas olímpicas e paraolímpicas de 2016, as restrições dos acessos aquaviários ao Porto do Rio de Janeiro acontecerão sempre de 11h00 as 17h45. Ou seja, o porto sobreviverá.

 

O calendário será o seguinte:

 

(a) Evento-teste 2015: de 13 a 22 de agosto – total de 10 dias corridos, sendo os dias 13 e 14 de agosto para os treinamentos oficiais e do dia 15 a 22 de agosto, as competições;

 

(b) Jogos olímpicos 2016: de 24 de julho a 19 de agosto – Total de 27 dias corridos, sendo que do dia 24 de julho ao dia 07 de agosto serão os treinamentos oficiais e do dia 08 de agosto ao dia 19 agosto as competições;

 

(b) Jogos paraolímpicos 2016: de 31 de agosto a 17 de setembro – Total de 18 dias corridos, sendo que do dia 31 de agosto ao dia 09 de setembro serão os treinamentos oficiais e do dia 10 ao dia 19 de setembro as competições;

 

Muitas dúvidas e inseguranças existiam acerca das restrições da Baía da Guanabara, tudo isso, frutos das omissões da CDRJ e da Antaq para com o próprio Porto do Rio de Janeiro, seus usuários, seus terminais e operadores e demais atores.

 

A CDRJ, principalmente na desastrosa gestão Jorge Mello (política) optou por fazer o papel da figura amiga e apoiadora dos jogos olímpicos, aceitou tudo que foi imposto e deu uma banana para as reais necessidades e interesses do porto. Já a Antaq, que nos termos da Lei 10.233/2001 deveria ter sido avisada pela CDRJ e/ou Marinha acerca dos fechamentos dos acessos aquaviários em 2014, deu uma de “João sem braço” dizendo que estava fiscalizando, supervisionando, quando, na verdade, sabemos que ela fez papel de “cônjuge traído”. Em outras palavras, foi a última que soube do evento (declarado à Folha de S. Paulo), depois que o site UPRJ gritou pelo porto. A Antaq notificou a CDRJ durante a realização do evento-teste do ano passado para saber informações. Contra fatos registrados não existem argumentos.

 

Mesmo sabendo que porto trabalha com programação (pelo menos acreditamos que saibam, pois é o mínimo), que podem existir projetos e investimentos em andamento, que as escalas e as programações de navios para o ano que vem podem estar sendo planejadas ou decididas hoje, falando aqui do segmento de contêineres em linhas regulares, nossas autoridades não tinham as respostas, de nada sabiam como seriam 2016. Sequer tinham corrido atrás da informação no sentido de saber o porto poderia receber navios. Agora nossas autoridades falarão que sabiam de tudo, pois são muito boas em conseguir desculpas e inventar histórias.  

 

Isso se configura em um verdadeiro absurdo, pois uma mera falta de informação pode ser a responsável por dezenas, talvez centenas de milhões de reais em prejuízos aos atores do Porto do Rio de Janeiro. Não há justificativas para a falta de informação. Ora, não é na véspera da realização de um evento-teste ou um ano antes de um evento olímpico que as nossas autoridades deveriam buscar essas informações. Isso deveria ter sido feito quando a Baía da Guanabara foi escolhida para ser o local de competição, há anos.

 

Inquérito Civil Público – O Ministério Público Federal (MPF) será imediatamente informado quanto à definição das datas e horários de restrição. A Usuport-RJ não quer sobrecarregar o órgão, vez que a questão foi definida e garante sobrevida ao porto do Rio durante as regatas. No entanto, pediremos ao MPF que continue apurando as omissões das autoridades em relação aos interesses do Porto do Rio de Janeiro.

 

Opinião da Usuport-RJ sobre as restrições dos acessos aquaviários:  Continua a mesma de quando chamamos a atenção de todos no sentido de dizer que “existe um porto no meio das olimpíadas”. Ou seja, a Usuport-RJ é contra qualquer tipo de restrição ao funcionamento de um porto, por terra ou água e entende que não houve a menor preocupação com os interesses do porto por parte das autoridades, lá no início, quando se definiu que a Baía da Guanabara seria o local das regatas. Agora que a decisão está tomada, teremos que nos conformar com o que o porto conseguiu.

 

Aparelhamento da CDRJ: Toda a falta de informação e interesse pelo porto por parte da Autoridade Portuária tem origem nas nomeações políticas que são feitas. Lamentavelmente, esses parasitas colocados para presidir a CDRJ pelos partidos políticos (o atual pelo PMDB), cuja prioridade é ocupar cargos, deixando o trabalho para décimo plano, são os grandes responsáveis por esse e muitos outros problemas que passam nossos portos. Pessoas que não entendem absolutamente nada de porto e que apenas querem quer fazer uso político dos seus cargos, não prestam para o porto. Aliás, não prestam para nada e só servem para piorar o Brasil.

 

 

 

André de Seixas

Criador e Editor do Site dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro

E-mail: uprj@uprj.com.br

 

O texto acima reflete a opinião do autor e do UPRJ

 

 

 

 

 

   

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