Políticos e seus apadrinhados não encontrarão potes de ouro na Docas do Rio

 

11/05/15 06:18 AM

 

Recentes matérias publicadas nos jornais Monitor Mercantil e O Globo, assim como no site da revista Veja, confirmam ações do PMDB no sentido de cobrar do Governo Federal pelo apoio que estão dando ao ajuste fiscal. Dentre os 150 cargos que o PMDB vem exigindo, segundo o jornal O Globo, lamentavelmente, estão cadeiras da Diretoria da Cia. Docas do Rio de Janeiro (CDRJ). De acordo as reportagens, estão pleiteando cargos na Autoridade Portuária, o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), O Deputado Estadual Jorge Picciani e seu filho Leonardo Picciani, líder do PMDB no Estado.   

 

 

 

 

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As comunidades portuária e marítima do Estado do Rio estão cansadas de ver esse filme. No entanto, é importante mencionar que, se os três políticos em questão alimentam a expectativa de encontrar na CDRJ um oceano de opções que lhes garantirão grandes benefícios, estão redondamente enganados.

 

Assim que seus indicados ocuparem as cadeiras da companhia, verificarão a existência de enormes passivos, os mesmos deixados por outros apadrinhados de partidos políticos que por décadas fatiaram a CDRJ. Este balde de água fria no aparelhamento, e a consequente perda de interesse pelas questões da companhia, poderão ser ainda mais nocivas à CDRJ, aos seus funcionários e aos portos por ela administrados.

 

Quem acompanha a nossa batalha, sabe muito bem que denunciamos a Antaq 03 vezes ao Ministério Público Federal (MPF) e duas vezes ao Tribunal de Contas da União (TCU). Portanto, ameaçar é algo que não faz parte da nossa metodologia de trabalho. Nossos métodos são mais incisivos e garantimos que atitudes serão tomadas, algumas, assim que os apadrinhados tomarem posse de seus cargos.

 

O Ministro dos Portos tem o poder de impedir a entrada desses apadrinhados na CDRJ. Sabemos muito bem que o TCU e o MPF não podem impedi-lo de nomear os indicados políticos de seus colegas de partido. Todavia, diante dos fatos, da satisfação das comunidades portuária e marítima com a atual gestão, do curto tempo de posse (apenas 07 meses) da atual diretoria, dependendo do perfil dos apadrinhados que assumirão os cargos e do momento que vive o país, em que escândalos de corrupção estouram todos os dias, justamente pelo aparelhamento de estatais, como nos casos da Petrobras e da Operação Lava-Jato, podemos entrar com Medida Cautelar junto ao TCU, assim como no MPF, citando inclusive os políticos padrinhos, para que inspecionem de perto a gestão dos novos apadrinhados, alegando que existe risco iminente de aparelhamento da estatal e prejuízo a todos os players do porto, principalmente aos usuários que sempre pagam a conta no final.  O risco existe. Afinal, quais seriam os interesses nas cadeiras da Diretoria da CDRJ? Dar apenas empregos a profissionais incapazes de conseguir espaço do mercado por meios próprios, por mérito? Claro que não!

 

Além de requerer inspeção do TCU, acompanharemos de perto todos os movimentos desses indicados políticos e cobraremos informações sobre seus trabalhos e desempenhos com base na Lei de Acesso à Informação, cabendo mencionar o grande apoio que o UPRJ tem de muitos que profissionais dos portos, gente do cais. As informações, inevitavelmente, chegarão até nós e os apadrinhados devem estar atentos a este fato. Os tentáculos do UPRJ estão em todos os lugares, pois estamos aqui apenas em nome do interesse público dos nossos setores e muitas pessoas de bem reconhecem isso.

 

Olhos bem atentos estarão avaliando os comportamentos dos indicados políticos, vendo absolutamente tudo que farão e, no primeiro deslize de conduta, seja intencional ou por incompetência (é fato que cometerão deslizes), estaremos ali para denunciá-los quantas vezes forem necessárias ao MPF e ao TCU, além de dar grande publicidade aos fatos, oferecendo à mídia farto material, com a vantagem de sempre lembrar à sociedade os políticos que ali os colocaram.  

 

Daqui, prometemos não dar moleza aos apadrinhados políticos. Isso porque, o UPRJ mapeou todas as possibilidades e riscos que existem para a “sucção das energias” da companhia, quais sejam: Loteamento de cargos executivos da empresa por mais apadrinhados que nunca entraram num porto, fazendo da CDRJ cabide de empregos; violação dos ritos legais para celebrações de contratos estranhos à companhia; direcionamentos de Editais de Arrendamentos, cessão de uso temporário e ocupação irregular de áreas nobres dentro do porto organizado; não cumprimento das diversas obrigações da Autoridade Portuária para atender interesses; paralisação de projetos em curso, dentre outras diversas que fazem parte do nosso cotidiano.

 

Pediremos através do Portal de Acesso à informação que a CDRJ apresente todos os projetos que a atual gestão está desenvolvendo, com respectivos status e previsão de término e implantação. Cobraremos muito desses apadrinhados e sabemos que eles não darão conta das respostas, assim como os seus antecessores não deram. Seremos uma pedra no sapato desse aparelhamento estatal, pois os nossos portos já foram muito prejudicados por apadrinhados políticos, e os usuários ainda mais.

 

Não podemos admitir que o Ministro dos Portos desconsidere em sua decisão o fato de que as comunidades portuária e marítima do Estado do Rio de Janeiro estejam satisfeitas com a atual gestão, o que ficou evidenciado no almoço oferecido aos atuais diretores da CDRJ em 15 de abril deste ano. Não podemos aceitar que o Ministro entenda que em apenas 07 meses de trabalho seja possível recuperar uma companhia que por anos e anos foi aparelhada, fatiada e "estuprada" por partidos políticos.

 

Ainda temos um fio de esperança no bom senso e, principalmente, na coragem do Ministro dos Portos no sentido encarar essas raposas da política, que não estão nem aí para os nossos portos e para o interesse público, e não permitir que aparelhem, mais uma vez, a CDRJ prejudicando a todos que precisam de eficiência da Autoridade Portuária, principalmente os usuários que sofrem na pele e no bolso  as consequências diretas dos atos e fatos promovidos por esses apadrinhados.

 

O principal motivo de os nossos portos estarem eternamente atrasados em relação ao mundo e a ocuparmos as ultimas posições no ranking de eficiência é justamente a entrega das administrações para pessoas indicadas politicamente, não permitindo que existam meritocracia e continuidade de um bom trabalho, não dando tempo para que as ações se consolidem.  A CDRJ tem hoje uma gestão exercida basicamente por doqueiros, gente do porto, que conhece o cais, algo raro no setor. Ao que tudo indica, a companhia está entrando em um bom rumo e a probabilidade de bons resultados é grande. Isso não acontecia há anos, motivo pelo qual é uma estatal depenada.

 

Portanto, se os apadrinhados e seus padrinhos estão buscando potes de ouro na CDRJ, infelizmente, neste exato momento, nada encontrarão, porque o aparelhamento político que vitimou a companhia ao longo dos últimos anos fez com que suas riquezas fossem esvaziadas. Sendo assim, se o Ministro dos Portos não tiver a coragem de blindar a companhia, em breve nada restará e nem a oportunidade de recuperação iniciada na atual gestão será possível. Talvez, esta seja a última chance de sobrevivência da CDRJ.

 

Os que mais perdem com o enfraquecimento da Autoridade Portuária são os usuários embarcadores exportadores e importadores, seja em qualidade de serviços, seja em modicidade de tarifas. No final da cadeia, quem pagará a conta será o cidadão, na prateleira dos supermercados, farmácias e comércio.

 

A decisão está com o Ministro dos Portos. Ainda acreditamos nele!

 

André de Seixas

Criador e Editor do Site dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro

E-mail: uprj@uprj.com.br

 

O texto acima reflete a opinião do autor e do UPRJ

 

 

   

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