A favor dos portuários, mas contra as operações padrões da Guarda

 

14/08/15 06:48 AM

 

 

No dia 11 de agosto, os Portuários decidiram entrar em estado de greve contra o aparelhamento da Cia. Docas do Rio de Janeiro (CDRJ). Lamentavelmente, o Sindicato dos Portuários entende que é uma estratégia importante e positiva usar a Guarda Portuária para realizar operações padrões nos portos administrados pela CDRJ, prejudicando a entrada de veículos e pessoas, formando filas imensas, trazendo o caos para o entorno dos nossos portos.  O colapso aconteceu no dia 12/08, ontem (13) e continuará hoje. Para piorar, ninguém foi avisado com antecedência para que pudesse se programar.

 

Entendemos que protestar é legítimo, apoiamos a causa dos portuários, lutamos contra o aparelhamento e o consequente sucateamento da CDRJ, mas somos veementemente contra esse jogo retrógado do Sindicato que visa tão somente prejudicar os players do para atingir seus objetivos. Muito melhor e mais inteligente seria se o Sindicato adotasse o método do diálogo com as entidades que representam os atores dos portos, de forma a buscar apoio aos pleitos da categoria, sem prejudicar ninguém.  

 

Ora, não sãos os usuários exportadores e importadores, os terminais, os transportadores, os despachantes e os armadores os responsáveis pelos atos praticados pelo Gadelha. Não foram os players, prejudicados pelas operações padrões, que colocaram o Gadelha na CDRJ. Quem fez isso, segundos os jornais, foram os Deputados Eduardo Cunha e Leonardo Picciani, com a chancela da Casa Civil e da Presidenta da República que começou a rifar cargos indiscriminadamente para garantir apoio ao ajuste fiscal.   

 

O fato é que seria muito mais producente para nossos portos, por exemplo, se o Sindicato realizasse seus protestos na frente da sede da CDRJ na Rua Acre 21, todos os dias, para que o Gadelha veja que ele e seus atos de aparelhamento não são bem vindos. Outra sugestão, que a história inclusive prova ser muito eficaz, é protestar na porta da casa do Gadelha, tal como foi feito em 2013, na frente da casa do Ex-governador do Rio no bairro do Leblon. O resultado foi tão positivo que ele procurou a mídia para pedir arrego, invocando seu lado pai de família, para sensibilizar os manifestantes e a sociedade. O Gadelha pouco vai ao porto e, quando por lá aparece, a assessoria de comunicação da CDRJ faz até nota com foro para divulgar no site, como se fosse um evento.

 

Portanto, incomodar o Gadelha no seu dia a dia, nas suas rotinas é um bom caminho a ser seguido, pois não traz prejuízos aos que nada tem a ver com isso, aos que produzem e precisam exportar e importar, aos que apenas querem trabalhar para superar essa gravíssima crise que país atravessa, responsável por retirar quase 30% do volume de cargas dos nossos portos. Será que o sindicato está preocupado com esses números catastróficos? Será o sindicato está preocupado com os custos adicionais de exportadores e importadores, com períodos extras de armazenagens, estadias, viagens perdidas, janelas urgentes, etc.?

 

Será que o Sindicato e a Guarda Portuária não conseguiram enxergar, até hoje, que fazer operações padrões e prejudicar os players dos portos é algo retrógado e reprovável? Será que não perceberam que tal atitude serve apenas piorar as coisas?  Será que, até hoje, não conseguiram enxergar o óbvio, no sentido de que é muito mais interessante para os doqueiros terem a iniciativa privada apoiando seus movimentos, quando forem justos?

 

O problema dos portos do Rio é que cada um acha o seu problema mais relevante que o do outro. Com efeito, todos olham apenas para seus respectivos umbigos e se esquecem do principal, da preservação da atividade portuária e do próprio porto. Tivesse união de verdade em torno da atividade portuária, de onde todos tiram seus sustentos, não existiria operação padrão, o diálogo entre as entidades seria regra e as operações portuárias preservadas.

 

Lá na frente, quando começaram os rumores de aparelhamento CDRJ nos jornais, decidimos reagir, dentro das nossas possibilidades e restrições. Fizemos diversas críticas contra a entrada do PMDB na companhia, enviamos e-mails ao “constrangido” Ministro dos Portos, fomos ao gabinete do Eduardo Cunha em Brasília para tentar dialogar, procuramos a mídia, levamos o grito ao PortoGente, Revista Época, Band News FM, dentre outras, tendo como motivação principal a eficiência, pois sabemos que, no Brasil, onde existem políticos, consequentemente, a coisa não evolui. Aliás, como muito bem colocou o Jornalista Ricardo Boechat, um apoiador do nosso movimento, o interesse dos políticos na CDRJ é trabalhar a “bufunfa”, o “vem cá meu bem”.

 

Não recebemos apoio público formal de ninguém, apenas agradecimentos de bastidores, aos montes. Naquele momento, nem o Sindicato se manifestou, ainda que, pela enésima vez, a CDRJ estivesse sendo vitima de aparelhamento, algo bem conhecido dos doqueiros.

 

Como era previsto pelo UPRJ, junto com o Gadelha, veio o festival de nomeações. A coisa tomou tamanha proporção, que o Sindicato começou a protestar e corretamente denunciou o Gadelha ao MPF por improbidade administrativa, pelo fato de ter nomeado para Chefe da Guarda Portuária (e assessores), pessoas que não possuem qualificação específica e legal. Obviamente que, após esse absurdo, o Gadelha está correndo atrás de consertar a besteira que produziu.

 

Isso está bem claro através da CARTA-DIPRE N° 16541/2015 a qual tivemos acesso, assinada pelo Gadelha, direcionada ao Presidente da Comissão Nacional de Segurança Pública nos Portos, Terminais e Vias Navegáveis (Conportos), solicitando a inclusão do nome de três pessoas para a 15ª edição do Curso Especial de Supervisor de Segurança Portuária (CESSP-15ª), que acontecerá ainda no segundo semestre de 2015. Na carta, o Gadelha inclusive tenta justificar o fato de ter nomeado pessoas sem qualificação legal para o cargo, alegando serem de sua confiança. Na verdade essa carta é uma confissão da besteira que ele fez. O que ele deveria fazer agora? Revogar o ato, conduzir pessoas qualificadas aos cargos, embora não adiante muita coisa para ele se safar, pois as nomeações foram feitas ilegalmente.

 

A opinião do UPRJ está dada. Continuaremos a nos posicionar contra o aparelhamento da CDRJ, a apoiar os doqueiros nessa luta. Porém, totalmente contrário a qualquer tipo de operação padrão da Guarda Portuária, ou qualquer outra forma de interrupção da continuidade das operações dos nossos portos. 

 

 

André de Seixas

Criador e Editor do Site dos Usuários dos Portos do Rio de Janeiro

E-mail: uprj@uprj.com.br

 

O texto acima reflete a opinião do autor e do UPRJ

 

 

 

 

 

   

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